A volta

Posted: August 22, 2010 in Uncategorized
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Melancholy

saudades de mim. li os contos quase poemas que escrevi aos vinte anos. vontade de dizer saudades de meus vinte anos. mas não. saudades de gosto novidade de cigarros sem filtro. acho que não. acho que sim. cac’o mas não acho. venho escrevendo em inglês. linguinha pobre. cheia de utilidade. e que mais fazer? pensando e sonhando tomar o avião em Charleston e chegar em sampa. garoando e bem possível. ou melhor, desaguar no rio. mas o calor de merda não me atrai. mesmo no verão. moscas. cheiro de guaraná e batida de banana com abacate. não. melhor em poa. com aquele monstruosidade de aeroporto que fizeram quando mal virei as costas. o que essa gente faz enquanto a gente dorme. enquanto a gente trepa, enquanto a gente trabalha. um gaúcho grandalhao de me dar vergonha me faz saber que estou aqui. mas pra onde vou não tenho ideia. amigos sempre poucos os tive. amantes sempre rápidos na passagem. talvez já mortos. seguramente impotentes. já nem lembro de cada um. e mais uma  nuvem assim gordinha de rostos, ventres, mãos, sexo. alguns mais competentes que os outros. nenhum merecendo o meu amor.pois se não for numa dessas, pra onde eu fujo? recife, prefiro o frio. recuso a ter que falar espanhol, inglês. francês. eu quero dizer merda com toda a sabedoria que merda implica. e nunca dizer vai te foder porque nunca disse e não imagino nada melhor que vaitomarnocu.. mas mesmo assim, serei seguramente quasi-jovem, pois que parti no meio a minha vida. a parte que ficou virou eterna lembrança. a parte que se foi virou eterno vir a ser. e assim fui me chegando na adulteza via maternidade, fornicação, adultérios, leitura de clássicos portugueses em inglês, clássicos franceses em português. pequeno príncipe em inglês, português e francês num enorme carrossel de pequenos eventos sem importância que giram devagar mas sem parar ate que tonta eu caia no meio fio sujo e quisera eu pensassem que estou bêbada ou drogada, mais do que caida da roda da minha vida por não ter mãos para segurar os muitos fios que me uniram e desuniram aos filhos, as meninas, aos pia’s, as amadas, as desejadas, as peladas, as machadadas, as omeletes com bacon de merda, as privadas sujas, as janelas entreabertas, aos portões acorrentados, aos cachorros vizinhos, as xícaras de maionese, ao coco’ no patamar, aos mudos desejos, as malas feitas e desfeitas e os fios se estendem mas não se partem, se embarac’am.  eu os desato e me agarro com toda a vontade de minhas mãos cicatrizadas.  Assim, sem decisão ou imposição eu permaneço responsável. Sem ter que aprender as conjunc’oes nem  conjuminacoes sigo em linha reta quase perfeita. Busco com meus olhos míopes coelhos,raposas, veados, cobras, corujas, tatus, urubus. Ja desisti dos sapos e jacarés. Os primeiros gritam alto mas são minúsculos e tão parecidos com as cadeiras  de folhagem onde se sentam que não posso ve-los.  Quanto aos jacarés prefiro ve-los na televisão enquanto o sono não bate.

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